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ter a lua
por testemunha
não é tê-la
?
tênue linha
entre a palavra
nua
e saber
vivê-la
feito sanhaço
canto a manhã
ao longe
de ontem não passo
as lembranças vêm vãs...
é hoje
Nos becos, os ecos de crianças & cães,
& almas em fogo, ascendendo em cigarros.
Aos tanques, às lamúrias, as mães,
reclamando da vida, dos casebres, do barro.
Os pais, calejados, se afogam no bar,
rindo do passado, chorando o futuro.
Aos bolsos, o vazio a torturar:
- Mais um gole do amargo puro!
Se pudessem, beberiam aos jarros,
apagando, da vida, a última centelha
de sonhos cadentes, implorando um amparo.
O amanhã, nesta fagulha se espelha,
com a bala na agulha, pagando caro,
estirado ao solo, camisa vermelha.
sem rumo
daqui
supra-sumo
as vezes
às vezes
são uma
todo dia
me cai um raio
peito
o mesmo
lugar
o inverno
de repente
frio
quem não
sente
Os dias passam.Tantas medalhas perdidas...
As migalhas, atiradas ao chão da vida,
alimentam o medo da estrada
e da sobriedade, outrora contida.
Em minha cela, de carne e ossos,
aflito, me engano, me escondo de tudo.
Tapo os ouvidos, torno-me mudo
: o ego cego não percebe o próprio ócio.
É. Na solidão das palavras, me divido em dois
: um, sonhador, chora e sorri, maravilhado;
o outro... Bem, o deixemos pra depois.
Ele é tão eu, tão príncipe amargurado,
tão entregue ao que entende por razões,
que uma procura para manter-se ao meu lado.
de trem
um abismo
c
a
i
bem
queria poder
acordar
e ver o dia
acordar e ver
o vento sem vê-lo
e o rever
sentir no ar a certeza
e ceder à beleza
de poder
sem poder