domingo, 27 de fevereiro de 1994

amanhontem




quando resgatarem,
da mais profunda profundeza,

este poema,

quem sabe,
futuro já não seja,
e, redescobrir,

o novo
lema.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 1994

o primeiro poema a gente até tenta esquecer




"ser criança
é desenhar na árvore um coração
depois escrever com letras tortas
nossos nomes bem no meio
e esquecer
que ser adulto
é quase o mesmo
que ser feio"



terça-feira, 15 de fevereiro de 1994

domingo, 12 de dezembro de 1993

ensaio




reler-te queria
fartos os atos
à luz à canção

mas tal capítulo eu pulo

descobri que essa afeição
foi meu monólogo

nulo



sábado, 20 de novembro de 1993

átomos




além do homem
além do além do horizonte
além de qualquer pensamento

além além & além

recordássemos,
jamais aos pés estaríamos
de nossa enésima vida
primitiva
nem saberíamos da lua
da aurora boreal
do mar & do sal

nem de cada um
de nossos últimos suspiros
que nos levam
a qualquer momento

só do mal
que nos torna
sedentos

(Muita paz nos aqueça, ó papiro
de guerra não vimos nada.

Lamento.)


segunda-feira, 1 de novembro de 1993

no infinito, qualquer ponto é o centro




Mergulho
no espírito 
do silêncio.

Alguém me vê?
Me ouve?
Sabe quem sou?
Estuda-me, 
frio,
feito o quarto?

Perguntas.

Não posso dar fim a tudo
bancar o bom mudo
pranto-pronto,
tonto com as palavras

(...)

Profundo como um poema,
o dilema amanhece.

Como eu queria voar,
ter a certeza de amar,
ou ao menos,
poder sonhar.

Isto posto,
visto meu rosto,
desço dos versos.

E o silêncio,
ao avesso,
adia os meus

universos.


terça-feira, 28 de setembro de 1993

avenida sete de setembro




tantas parecem minhas asas
pássaro polegar
... rasante!

e vôo à mil flores
te seguindo pelo ar

errante



sábado, 18 de setembro de 1993

praça carlos gomes




breve pausa na manhã
bem-te-vi, leve vôo
esquivo

conduz-me brisa irmã
devo a ti o que sou

vivo.