segunda-feira, 1 de agosto de 1994

bela de netuno




o torto precisar,
entre erro & errar,
é quando 
assombro

na calmaria,
erro o eu
nau de ansiedades

: de meu mar morto
faço refúgio

pois danço com o clímax
cujo véu de morte
presenteia-me
num corte
visionário
patético
e nada poético

nada
poético
.


domingo, 27 de fevereiro de 1994

amanhontem




quando resgatarem,
da mais profunda profundeza,

este poema,

quem sabe,
futuro já não seja,
e, redescobrir,

o novo
lema.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 1994

o primeiro poema a gente até tenta esquecer




"ser criança
é desenhar na árvore um coração
depois escrever com letras tortas
nossos nomes bem no meio
e esquecer
que ser adulto
é quase o mesmo
que ser feio"



terça-feira, 15 de fevereiro de 1994

domingo, 12 de dezembro de 1993

ensaio




reler-te queria
fartos os atos
à luz à canção

mas tal capítulo eu pulo

descobri que essa afeição
foi meu monólogo

nulo



sábado, 20 de novembro de 1993

átomos




além do homem
além do além do horizonte
além de qualquer pensamento

além além & além

recordássemos,
jamais aos pés estaríamos
de nossa enésima vida
primitiva
nem saberíamos da lua
da aurora boreal
do mar & do sal

nem de cada um
de nossos últimos suspiros
que nos levam
a qualquer momento

só do mal
que nos torna
sedentos

(Muita paz nos aqueça, ó papiro
de guerra não vimos nada.

Lamento.)


segunda-feira, 1 de novembro de 1993

no infinito, qualquer ponto é o centro




Mergulho
no espírito 
do silêncio.

Alguém me vê?
Me ouve?
Sabe quem sou?
Estuda-me, 
frio,
feito o quarto?

Perguntas.

Não posso dar fim a tudo
bancar o bom mudo
pranto-pronto,
tonto com as palavras

(...)

Profundo como um poema,
o dilema amanhece.

Como eu queria voar,
ter a certeza de amar,
ou ao menos,
poder sonhar.

Isto posto,
visto meu rosto,
desço dos versos.

E o silêncio,
ao avesso,
adia os meus

universos.