segunda-feira, 7 de julho de 1997

carpe jeans




agora a idéia
que caiu sobre a pena
é de que todos os caminhos
só podem levar
até nós mesmos

o ontem só serve
para não repetirmos
as bobagens

o amanhã é só sonho
é o mistério
da viagem

o hoje é o que é
por isso o chamamos de presente
e ganhamos um atrás do outro

e, se, de repente,
o negócio for rir
da própria vergonha de não saber
vamos marcar um encontro
pra mais além!

(há bares
que vêm pro bem)


quinta-feira, 12 de junho de 1997

beco




o certo
é que certas coisas
são tão incertas
que até a dúvida
duvida
:
se eu quiser viver
será preciso esquecer
dos segredos
da vida
?



quinta-feira, 5 de junho de 1997

ecos




masmorra
&calabouço

da solidão
só um esboço

mil anos
em um segundo

: eis meu tom
tão moribundo



quarta-feira, 7 de maio de 1997

dezesseis




cê tá vendo aquela mina?

é a garota
mais bonita
da favela

(já mataram três
por causa
dela)



segunda-feira, 5 de maio de 1997

sábado, 22 de fevereiro de 1997

Liebe




und nur in deutscher Sprache
Ich brauche diesen schönen
Übertreibung von Wörtern
zu sagen

wie


domingo, 2 de fevereiro de 1997

sábado, 11 de janeiro de 1997

1997




faz

       tempo

                 que

                       o tempo

                                    não dá

                                              um

                                                      tempo

                                              um

                                   não dá

                      o tempo

                que

       tempo

faz


sexta-feira, 3 de janeiro de 1997

enfim, nós




para variar
discutimos
até amanhecer o dia

mas hoje foi diferente
:
decidimos deixar de lado
o tudo
o nada
o para sempre
& toda, toda, filosofia

eu fiquei mudo
& ela calada
,
depois
alegria


 

sexta-feira, 13 de dezembro de 1996

praça santos andrade, escadaria




olho para a rua
como se o nada eu olhasse
o gari até me cumprimenta

olá!

os transeuntes
figuram previsíveis
deixando tudo pior
que o making of
do pré-prelúdio
do que não foi

tiro o uísque do pacote
há quem ache que é pose
close pra foto

mas aqui vou ficar
até que ela apareça
até que eu mesmo me esqueça
de que e quem estou a esperar

!
(ela surge, descendo os degraus)

o brilho dos olhos
apaga meu texto
enquanto leio os lábios calados
na, que bobagem, calada do dia
e quando se encontram com os meus
ainda tento

mas

não há mais tempo

à agonia
ao acordar da coragem
novamente olho para a rua
como se o nada eu olhasse
como se tudo fosse
um mero ensaio

como se eu fosse um vassalo
das vontades alheias.

(não, não é sangue
tenho é cianureto
circulando pelas veias)