quinta-feira, 17 de julho de 1997
1988
na sala de aula
sentava logo ali
mas muralhas
& muralhas
nos separavam
os olhos dela
pura luz
não evitaram a escuridão
dos infernos que desbravei
até tocá-la
nas mãos
(realmente as toquei?)
exausto
como se o topo
não fosse início
meu épico poema
belo & belo
não passou
de meromero
suplício
as férias vieram
e como se séculos passassem naquele verão
diasnoites me envelheceram tanto
que cheguei a ouvir um canto
que se não era o da morte
era o da criação
exageros à parte
o novo ano começou
estudamos descartes
e, numa aula
que eu nem queria ter assistido
finalmente algum cupido
ou tapado
a flechou a chegar ao meu lado
amava-me antes
e além das muralhas
e escalara trinta everests
pra enfim me dizer
que seu nome era andressa
e não
elizabeth
segunda-feira, 7 de julho de 1997
carpe jeans
agora a idéia
que caiu sobre a pena
é de que todos os caminhos
só podem levar
até nós mesmos
o ontem só serve
para não repetirmos
as bobagens
o amanhã é só sonho
é o mistério
da viagem
o hoje é o que é
por isso o chamamos de presente
e ganhamos um atrás do outro
e, se, de repente,
o negócio for rir
da própria vergonha de não saber
vamos marcar um encontro
pra mais além!
(há bares
que vêm pro bem)
quinta-feira, 12 de junho de 1997
beco
o certo
é que certas coisas
são tão incertas
que até a dúvida
duvida
:
se eu quiser viver
será preciso esquecer
dos segredos
da vida
?
quinta-feira, 5 de junho de 1997
quarta-feira, 7 de maio de 1997
dezesseis
cê tá vendo aquela mina?
é a garota
mais bonita
da favela
(já mataram três
por causa
dela)
segunda-feira, 5 de maio de 1997
sábado, 22 de fevereiro de 1997
domingo, 2 de fevereiro de 1997
sábado, 11 de janeiro de 1997
sexta-feira, 3 de janeiro de 1997
enfim, nós
para variar
discutimos
até amanhecer o dia
mas hoje foi diferente
:
decidimos deixar de lado
o tudo
o nada
o para sempre
& toda, toda, filosofia
eu fiquei mudo
& ela calada
,
depois
só
alegria
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