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durmo pouco
pois sonho
muito
no desespero
nosferatu
pediu um espelho
foi seu último ato
pois veio o dia
e que tormento...
pó sua face
sol lamento
:
nouvelle vague
me faz um acordado
:
o meu desejo
de um último
último beijo
:
não há nenhuma
pra dizer
um colega meu
do tempo do primário
agora é hare krishna
tarde dessas o vi
com seus incensos
numa esquina
estava um tanto irado
pois em uma formiga
ele havia pisado
diz ele
ter pisado numa amiga
d'outra vida
d'algum passado
- o que estou fazendo aqui?
perguntou
e deixou-me
ir
(tudo tão...
dá vontade de...)
- vou comprar cigarros.
se knowledge fede
quando imóvel,
faça.
crie enquanto os cantos do mundo
(co)existem
enquanto o céu indazul
(que quando cinza
é d'armadura
nuvem)
pois de que adianta ler
joyce, rosa, kant ou pessoa,
ver chaplin ou picasso,
se o fazer for nu
num prazer enrustido
d'amargura
ou ter nervos de aço
e por tê-los
teimar ao termo
se dizer
incompreendido?
ah, vá!
já furei o pé num prego
enfiei o dedo onde não se deve
& o nariz onde não chamado
já tive um cachorro cego
ainda não vi neve
mas tenho amado
(ha ha ha ha)
na verdade
pra mim já basta
ter o medo que me afasta
de estar
parado.
fardo-mor,
soldado
:
sou o dado que se joga
e se afoga
no fogo d'tualma
no calor do desespero
onde espero
por te ver
(sou aquele que se salva
pra depois salvar
você)