sábado, 2 de dezembro de 2000
philosophychaos
alguns invernos
para então merecer
um certo verão
(todavia, o frio prefiro)
alguns infernos
para merecer um céu
(dependendo de qual for
até me retiro)
só sei que
seja na luz
ou na escuridão
se além daqui
for comigo esta dor
nada tem sentido
(o sol ia se pondo
juntei minhas tralhas
levantei da grama
e vi um pássaro negro
que mais parecia uma gralha
no galho de um arbusto
dei meus passos
para ir embora
e o bicho veio
em minha direção
me abaixei e
caramba, que susto!
e ainda senti,
o ar deslocado,
quase levando o meu boné
o pássaro foi para longe
e eu fiquei ali
parado até perder
as horas
- enquanto sem fé
o melhor mesmo
é só pensar
& repensar
o agora - )
domingo, 26 de novembro de 2000
rara
aquela noite
poderia não
ter acabado
a tive
na palma da mão
até eu a deixar
que falasse do ninho desfeito
falasse que assim não se vive
e eu responder
o que nem perguntou
cantou que ouviu
o que queria
encheu o peito
e voou
aquela noite
poderia não ter acabado
e, não
não acabou
segunda-feira, 20 de novembro de 2000
sexta-feira, 17 de novembro de 2000
sol
hoje a encontrei
: olho no olho
- quanto tempo já faz?!
mas
só oi, pois é
tchau, até logo
& nada ainda sei
do futuro
: ambos
ficamos atrás
do brilho sem brilho
de nossos óculos
escuros
quarta-feira, 15 de novembro de 2000
sábado, 21 de outubro de 2000
sexta-feira, 20 de outubro de 2000
quarta-feira, 11 de outubro de 2000
duas (ou "carta-resposta")
enquanto aqui
no tempo
& no espaço
vulneráveis
escravos do desejo
das cifras
das sinas amáveis
de um único beijo
só no próximo passo
(que nem sabemos
se é possível
nem no que vai dar)
é que então saberemos
se existe mesmo
algum lugar
(sobre a tua pergunta
"se podemos ser três?"
: eu, sóbrio, sóbrio
quase não sou um
imagine então
vocês!)
sexta-feira, 6 de outubro de 2000
o fora
ela procura
outros versos
em seu vasto acervo
de novos desejos
o problema
é que tem
seguido os passos
dos passos errados
e não termina
nenhum poema
coisa que tem
lhe dado muito
nos nervos
outro dia
cogitou voltar aqui
e continuar o soneto
que havia começado
eu disse
agora não
estou em paz
vivendo aos tankas
os meus haicais
quarta-feira, 4 de outubro de 2000
velho, casebre, de campo
O avesso ao contrário,
corrompe meu dia
e me entorpece.
Entender eu queria,
ou ser páreo
à alegria que desce,
sempre pouca
e tardia.
Portanto, como é cedo demais,
chega de conversa
: a paz
me deixa em pranto
e vice-versa.
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