domingo, 9 de fevereiro de 2003

welladay

 


na passagem
para a passagem
noitadentro

ab

sinto

e se alguém souber de cronos
que o mande para cá
provar de minh'espada
manchada do sangueterno
das horas & honras passadas

sem volta
noitadentro

ab

sorvo

cada megamicroinstante

se deliro
bem que faço
renasço

corvo

torto

estorvo

cantarolando musiquetas
das que muitos quase morrem
só de lembrar

e só me dou conta
de quanto dela passei
quando o Simão
dono do bar
diz não ter troco
pra nota
de cem
que acabou de abrir
e que vou ter
de esperar




quarta-feira, 15 de janeiro de 2003

reunião de negócios




tomei uma atitude
e dei aquele soco
na mesa

o coração pediu a conta
a incerteza pediu aumento
o perdão ficou louco
a ironia ficou bem tonta
e o sarcasmo
um tanto rude

ser bom, até que tento
já, ser eu mesmo

fui

enquanto pude



quarta-feira, 1 de janeiro de 2003

dois mil & três

 


: revemos fogos
& o tudo de bom
(à vontade berrando fuja!)

champanha salton
: brut
sessão coruja
: gaiola das loucas, putz...

(então fui lavar a louça)

& o ano que vem
vem
meio nathan lane
meio penny lane
(na versão do bowie, ouça)

e ela dorme
o verso some
mas eu preciso mesmo terminar
este poema

: calço os chinelos
tento passos singelos...

- Como odeio estas algemas!



sexta-feira, 20 de dezembro de 2002

janelaberta

 


parafernalímbicomecei
terminandoitchauscultando
imprópriopeitópiousolomomento

emchamaschameiteameinãoteachei
licartaemquedalivrecêaindadivagando
queroutraseisvidasoulratoseusuculento

queijosumiçobeijosóissoteumiau

e c h o a n d o o o o o o o

(era só o vento)



terça-feira, 17 de dezembro de 2002

no zero outra vez

 


sou o que fui
e o que nunca
quis ser

o destino
agora é um grande vacilo
que destilo
buscando vencer

mas como me disseram
a culpa
é de quem pensa

afinal
por que questionar
sonhar
lutar
 

parece
que o bom mesmo
é seguir na linha
não olhar para os lados
muito menos
para trás

e como eu digo
parece mesmo
um castigo
ainda sentir
ser capaz 


 

quarta-feira, 11 de setembro de 2002

II




o novo
de tão doce
nos força viver cada vida
como se última fosse

aliás
não devagar
o século começou
secular

e certo dia
logo cedo
numa varanda
duas velhinhas
às cuias
oito pares de meias
coloquialmentelegantes
me contavam
do quão melhor era antes
ignorando o rádio
e o noticiário sem dó
reduzindo ainda mais
as duas torres
ao pó.

(não consigo esquecer
uma infinidade de coisas
que não posso
d e s c r e v e r)


game over

 


contra o onze
as fúrias aladas
ruíram a pose
à face
do nada

& o ódio vendido
pode ser lido
nos nervos de aço
retorcido
& até
nos ossos

:
a propaganda
é a alma
dos destroços




quinta-feira, 8 de agosto de 2002

não chores por mim, aspirina




era um esquisitango
:
dois pra lá
três pra cá

sei lá

mas a coisa toda
estava esquentando
e eu achando
que ia mesmo
a conquistar

então, em um passo
daqueles que nem astaire
ousaria

levei um pisão
fiquei descalço
e virei o pé

porcaria.

(acordei com dor de cabeça
e já era quase
meio-dia)