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o velho poeta
nunca soube escrever
nem foi preciso
e há poesia por viver
(abre o sorriso)
anda tão triste
minha tristeza
tão
melancolia
que até sorri
vez em quando
só pra dizer
que é vazia
entre silêncio
e tempo
: choque de pálpebras
a de mim coitado
ando um tanto
sincopado
vida mansa
: acabei de acordar
da frança
ter a lua
por testemunha
não é tê-la
?
tênue linha
entre a palavra
nua
e saber
vivê-la
feito sanhaço
canto a manhã
ao longe
de ontem não passo
as lembranças vêm vãs...
é hoje
Nos becos, os ecos de crianças & cães,
& almas em fogo, ascendendo em cigarros.
Aos tanques, às lamúrias, as mães,
reclamando da vida, dos casebres, do barro.
Os pais, calejados, se afogam no bar,
rindo do passado, chorando o futuro.
Aos bolsos, o vazio a torturar:
- Mais um gole do amargo puro!
Se pudessem, beberiam aos jarros,
apagando, da vida, a última centelha
de sonhos cadentes, implorando um amparo.
O amanhã, nesta fagulha se espelha,
com a bala na agulha, pagando caro,
estirado ao solo, camisa vermelha.
sem rumo
daqui
supra-sumo
as vezes
às vezes
são uma