sábado, 20 de novembro de 1993

átomos




além do homem
além do além do horizonte
além de qualquer pensamento

além além & além

recordássemos,
jamais aos pés estaríamos
de nossa enésima vida
primitiva
nem saberíamos da lua
da aurora boreal
do mar & do sal

nem de cada um
de nossos últimos suspiros
que nos levam
a qualquer momento

só do mal
que nos torna
sedentos

(Muita paz nos aqueça, ó papiro
de guerra não vimos nada.

Lamento.)


segunda-feira, 1 de novembro de 1993

no infinito, qualquer ponto é o centro




Mergulho
no espírito 
do silêncio.

Alguém me vê?
Me ouve?
Sabe quem sou?
Estuda-me, 
frio,
feito o quarto?

Perguntas.

Não posso dar fim a tudo
bancar o bom mudo
pranto-pronto,
tonto com as palavras

(...)

Profundo como um poema,
o dilema amanhece.

Como eu queria voar,
ter a certeza de amar,
ou ao menos,
poder sonhar.

Isto posto,
visto meu rosto,
desço dos versos.

E o silêncio,
ao avesso,
adia os meus

universos.


terça-feira, 28 de setembro de 1993

avenida sete de setembro




tantas parecem minhas asas
pássaro polegar
... rasante!

e vôo à mil flores
te seguindo pelo ar

errante



sábado, 18 de setembro de 1993

praça carlos gomes




breve pausa na manhã
bem-te-vi, leve vôo
esquivo

conduz-me brisa irmã
devo a ti o que sou

vivo.



sábado, 7 de agosto de 1993

aurora de inverno




No bosque,
incertezas, frias flores
e minha calma mais gélida

: rancores.

(Cai a noite, e finda,
cá eu, à espera do flerte
com a mais linda.)

Fim do vinho
: troco os cacos
por um
carinho
.


quinta-feira, 20 de maio de 1993

pai




o velho poeta
nunca soube escrever
nem foi preciso

e há poesia por viver

(abre o sorriso)


quarta-feira, 28 de abril de 1993

cínica




anda tão triste
minha tristeza

tão
melancolia

que até sorri
vez em quando
só pra dizer
que é vazia