quinta-feira, 19 de outubro de 1995
velha cena de bar
Não há noite
que contenha
o roer de unhas,
o tremor das pernas,
a dose de pinga.
E ela não vem,
só a outra.
- Querida!
E me xinga.
(Devolva minha vida,
guria!
Senão,
te dou um punhado
de alegria.)
sexta-feira, 29 de setembro de 1995
ana
escreveste
com letras de fôrma
quase sem forma
ilegível
um poema
de versos roubados
quase sem forma
ilegível
um poema
de versos roubados
de um poema antigo
impressiona
pois apesar de cafona
,
imprescindível
impressiona
pois apesar de cafona
,
imprescindível
terça-feira, 26 de setembro de 1995
pantomínima
argumento,
motivo do conflito
:antes não reflito,
me divido
sou perda
sou passado
sou bogart
no mesmo noir
irrevogável reverso
nem há como caminhar
pois sou pedra
jurada de vida
pelo universo
sábado, 23 de setembro de 1995
vitrinity
me dá outro chope que trânsito aquela gata você viu a vizinha me perdoa sua besta jesus está olhando me empresta dez mangos ei que cê tá fazendo chama polícia uma dose uma só mais uma liquidação entrem entre e morra
(pensando à grega
vestidos como americanos
,
o menino se matando
a menina se vendendo
&
o douto se drogando
o diabo se benzendo
:
seria a vida mesmo insana
ou nossa inércia
atingiu algum nirvana?)
quarta-feira, 20 de setembro de 1995
tema para outro poema
o momento anterior
ao virar da página
é tão profundo
quanto o próximo
: procure o sólido
no abstrato máximo
pedra
de peso flácido
(ao apagar do ápice
outro momento daqueles
nos rasos olhos de lápis)
diga o quiser ao mundo
mas antes anteceda o instante
entre a máquina a mirar
e a miragem
na estante
terça-feira, 19 de setembro de 1995
espírito
pleno
pelo
elo
o espelho
belo
livre
louvre
ave, ave!
(nas veias do texto
pretenso
pretexto
nas areias
do rosto do tempo)
& azar dos quem
nas asas
naus
quase
esauq
vêm
e não
o vêem
sexta-feira, 8 de setembro de 1995
sábado, 19 de agosto de 1995
re-trato da noite quando jovem
quero-queros
corujas & grilos
cachorros & gatos
& o galo chamando
a lua atrasada
& os sonhos rumando
pralém-madrugada
tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac
eis que o trem
apita
apita
apita
e passa passa passa passa passa passa passa passa passa
(enquanto quando
descanso bem as caras
pra não ficar às claras
sem graça)
segunda-feira, 31 de julho de 1995
avenida batel, balcão de bar
afundando o barco
e tentando ser farto
dalguma sorte
: que força faz o fraco
para não ser
forte
quarta-feira, 26 de julho de 1995
o sol proibido
se sombras pudessem
falar cantar
voar sonhar
longe de nós estariam
pois caminhamos
ladoalado
resistindo às tentações
privando nossos vultos
de todas
as paixões
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