quarta-feira, 17 de abril de 1996

horizonte




a cada passo
desfaço
o percurso
imaginário

em cada laço
me faço
para o nada
nada páreo



sexta-feira, 12 de abril de 1996

andarilhos




profundamente sonhados
sem dúvida de sombra
& marcados pelo sempre


somos,
da fábula,
as novas páginas

pois a todo instante nascemos
& renascemos
velozes de quando em quando

apenas

às penas

caminhando
...


sábado, 2 de março de 1996

poemerege número 667




se deus existe
ele é tudo
e está além de tudo

deus
sou & somos
eu & você

a árvore derrubada
o sopro na flauta
o veneno de uma piada

a tua falta

é o castelo do nobre
o chinelo virado
o cachorro doente
o espelho quebrado

o elo
entre o feio
& o belo

um deus que é deus
não precisa de bíblias
escritas pelo homem
inda menos de igreja
exaltando a dor & a fome
 
nem de oferendas
guerras & sacrifícios
terras & edifícios


e ele está aqui
veja!

nesse verso
no outro
e no seguinte

ele é onipresente
não por estar em tudo
e em todos os lugares
e sim por ser tudo
e todos
em todos os lugares

ele pode ter tido
muitos emissários
como sidartha, joshua
ou mohamed
mas podemos encontrá-lo
em da vinci, bessie smith
até em nitzschie

e como não vê-lo em brigitte bardot?

se ele não é isso
e todo o mais
ele não é deus

pois ele é
tudo

e está na vida
na ferida
nos ateus

no absurdo


quinta-feira, 16 de novembro de 1995

pequeninos




Meu ouvido esquerdo,
quase grita,
à dura impiedade,

o lamento que diga.

Que estágio é este que nos tem
onde se ama quem puder
e se salva quem não quer?

Puro contratempo.

(E quem liga
se há verdade?)

No âmago do momento,
às profundezas da convicção:
sequer eu, pensante, existo,
perante a busca
da razão
.


terça-feira, 14 de novembro de 1995

lost soul, saul's bar




Que jazz aqui,bailarina?

Veio ao solo
dos metais?

Viagem vã
: esta jam
é dos mortais.

Todavia,
se me deixar em paz,
se esquecer o tal romance,
então pedirei que fique.

Pois com a vida,
ao meu alcance,
não mais me encanto.

Agora dance
que o uísque é dose...

(gole)

...e nem tanto.


quinta-feira, 19 de outubro de 1995

velha cena de bar




Não há noite
que contenha
o roer de unhas,
o tremor das pernas,

a dose de pinga.

E ela não vem,
só a outra.
- Querida!

E me xinga.

(Devolva minha vida,
guria!

Senão,
te dou um punhado
de alegria.)