sexta-feira, 26 de junho de 1998

sideral




A tua ausência
me atirou na solidão
de um imenso
buraco negro.

E, nele,
permaneço.

Não importa
para onde o tempo
queira me levar
:
não poderei tê-la,
pois ainda caminho
entre os mortais.

É certo que, apesar da poeira,
ainda vejo teu brilho.

Mas é só o teu brilho.

Pois você,
minha estrela,
já há um ano,
sem luz,

não existe mais.


sábado, 25 de abril de 1998

fun funeral




no desespero
nosferatu
pediu um espelho

foi seu último ato
pois veio o dia
e que tormento...

pó sua face
sol lamento


sexta-feira, 10 de abril de 1998

kharma




um colega meu
do tempo do primário
agora é hare krishna

tarde dessas o vi
com seus incensos
numa esquina

estava um tanto irado
pois em uma formiga
ele havia pisado

diz ele
ter pisado numa amiga
d'outra vida
d'algum passado

- o que estou fazendo aqui?

perguntou
e deixou-me
ir


terça-feira, 24 de março de 1998

quarta-feira, 18 de março de 1998

smells like old spirit




se knowledge fede
quando imóvel,

faça.

crie enquanto os cantos do mundo
(co)existem
enquanto o céu indazul

(que quando cinza
é d'armadura
nuvem)

pois de que adianta ler
joyce, rosa, kant ou pessoa,
ver chaplin ou picasso,
se o fazer for nu
num prazer enrustido
d'amargura
ou ter nervos de aço
e por tê-los
teimar ao termo
se dizer
incompreendido?

ah, vá!

já furei o pé num prego
enfiei o dedo onde não se deve
& o nariz onde não chamado

já tive um cachorro cego
ainda não vi neve
mas tenho amado

(ha ha ha ha)

na verdade
pra mim já basta
ter o medo que me afasta
de estar

parado.