segunda-feira, 5 de abril de 2004

acrylic

 


em uma literatour
daquelas de muita solidão
e de vontade de dizê-la

lá dentro
do diário de klee
(que comprei usado)
encontrei
uma rosa
& um cartão guardados
datando cinco anos antes

eram bons amantes

ela leu klee
ele mal sabia escrever

:
teria a moça vendido os livros
esquecido os lidos
enfim
assim decidido

viver?




domingo, 16 de novembro de 2003

fabella




escorpiana
nata
navega

( noite
nua )

entre
corpúsculos & crepúsculos

enter
no crepoema descolorido

- naja -
(áspera pele
vésper à espera)
fera fera

: curare elixir, ela o x, Ela

eu, eu
presa e predador
às pedras
eu, eu


ela, Ela

navega
vaga

(lua
nata)

em flamas

(à noite
a noite
esculpe
ana)



quinta-feira, 13 de novembro de 2003

quarta-feira, 5 de novembro de 2003

gemini

 


B
L
U
E
M
O
O
N ão me venha com emboras pois
E u, bem, Eu, gostaria muito de saber de uma
V ez por todas por que é preciso
E ntender o que foi sentido se o que
R esta não conta na história
M al cantada por teus olhos dublês
I nfáliveis e esse arrependimento de
N uncas e afins e arremedos de
D ores e... adeus, volte logo!




sexta-feira, 12 de setembro de 2003

br 376




oh, sim
claro claro
que tudo que versamos
é ultraultrapassado
reinvenções
de reprises de plágios de plágios
de etecétaras e tais
para ódio dos novos neonewpós

oh, sim
claro claro
é inútil demais
minha nossa mesmice
pois
como alguém já disse
tudo já foi dito
e desdito

maldito.

(feijão com arroz
& ovos fritos)


quinta-feira, 11 de setembro de 2003

oilmerica




los sobrinhos de sam
sons of a bush
não ouviram plato
nem joshua, nem cummings
nem chaplin

e aí está
o tipo de nação
que hitler queria

: trocando sangue
por petróleo
metendo os dedos
nos seus olhos

pois é pois é pois é
aquela coisa toda
de hino & bandeira
heróis & winners
na prática não passa
d'outro disfarce
daquela suástica




terça-feira, 19 de agosto de 2003

vinho do porto

 


raios!

dei-me ao luxo
de resistir
feri como se a curasse
e se não bastasse
a fiz sorrir

raios!

pedi que não mais ligasse
e não ligou
coisaoutra

raios!

que me partam
por não ter partido
por achar coisa pouca
todo esse desamor
toda essa louca
metáforambulante

essa sina
que nada
me ensina

raios!

que caiam no mesmo lugar
descarreguem a fúria contida
(não tô nem aí)

: quebrados encantos
teimo em negar-me vida
ao cair por terra
ao ficar por aqui, ó

raios!

(re-sumindo,
faceàface,
fácil fosse,
tentei o tédio quebrar

mas quebrado foi o gelo
: sete anos de azar
para o espelho)

raios


 

segunda-feira, 4 de agosto de 2003

opus per ridiculum detortum

 


este silêncio
alguma coisa
quer dizer...

os versos acima
escrevi há alguns meses
e, na ausência de rima,
os deixei na gaveta

o silêncio ainda é o mesmo
e, apesar do apesar,
que se reinventa

sobrevivo
sobretudo
pensativo
.

olha,
não sei porque
eu voltei a escrever

deve ser doença
ou então a falta
do que não fazer



 

segunda-feira, 21 de julho de 2003

spandaemonium




o mundo todo me vigia
& ninguém me vê

: eis a idade mídia

web cams
globos negros na rua xv
nem mesmo no elevador
eu posso mexer
no meu nariz

já tenho até
um código de barras
sou produto não cadastrado
mas alvo
por satélite
seguramente localizado

(virtual até nos nervos
já penso em me desconectar)

ah,
ontem recebi um e-mail
era você
me avisando dos novos tempos
agora tão
obsoletos

: deletaram meus dedos

(mas talvez minha avó
ainda saiba de um chá
que seja bom
contra defeitos)