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a mesma
na mesma
(re)conheci
no corpo da taça
todo o dia
e tudo que virou verdade
distorcidos em aplausos
(ou seria um vendedor
plantado no portão?)
NÃO
são sete horas da manhã, cara
e estou de cara
na farra d'outro vazio
às cadeiras desocupadas
douto
contemplando a dança das cortinas
meu vigésimo quarto outono
e nada de sono
nada de sonho
nada.
(- Querida noite,
muito obrigado
pelo açoite.)
distraiu-me, o farol
enquanto os bebês comiam
pelas beiras
do anzol
pagavam um sapo
e ainda nem tinham
escamas
no saco
uma grande mulher
que criou os filhos
sozinha
que criou os filhos
que aturou um marido bêbado
e que engoliu, seco
o medo
sozinha
uma grande mulher
que criou os filhos
aturou o marido
e que ainda lutava
pelo pão da casa,
mesmo que o pão fosse amanhecido,
sozinha
que não fugiu com os filhos
não ouviu os "conselhos"
pois pensava que assim
destruiria a própria família
e era como pensava
sozinha
uma grande mulher
que viu os filhos crescerem
o marido também
e que viu suas flores secarem
e a transformarem
em quase ninguém
ou apenas uma voz
que falava
sozinha
vieram os filhos dos filhos
ganhou o nome de Vó
sentiu dor, sentiu dó
pois nos novos rostos
viu os traços de suas criancinhas
: sabia que, para todos, queria só o bem
mas não quem era e quem não era quem
uma grande mulher
sozinha
e o padre
confessou tudo
latim por latim
otário
caiu no conto
do vigário
tem dia
que nem solidão
faz companhia
se não há clareza
nas coisas
& mesmo nos porões
ainda procuramos poréns
(tá, somos estranhos
mas uma riquezade cores e sentidos
povoa nossos corações)
& não estamos perdidos
apenas sozinhos
nas multidões
se o céu de Luanda
espelho fosse
escarlate estaria
escondendo, escaldante
os desenhos das nuvens
na estradazul
do passarinhalto
bicando o algodão doidoce
- blues
: o menino de nove
agora é chefe de família
e, ontem, uma menina de sete
viu seu pai não acordar
sendo assim, hoje
o menino ganhou
mais uma filha
longe, mas não
distante um poeta, de outro quase
mesmo lugar
até capta
a ferida do instante
mas o vazio o rapta
e, como nada tatua na página
desiste e se vai, tristonho
viu que é de um mundo, nada menos
do tamanho da tal ferida
e o quanto, sarcástica
a tal ainda rima com a vida
despedaçando tantos pequenos
corassonhos
nada de rotina
sou mais pieguices
& mistério
muito novo
pra ficar
velho
alguns invernos
para então merecer
um certo verão
(todavia, o frio prefiro)
alguns infernos
para merecer um céu
(dependendo de qual for
até me retiro)
só sei que
seja na luz
ou na escuridão
se além daqui
for comigo esta dor
nada tem sentido
(o sol ia se pondo
juntei minhas tralhas
levantei da grama
e vi um pássaro negro
que mais parecia uma gralha
no galho de um arbusto
dei meus passos
para ir embora
e o bicho veio
em minha direção
me abaixei e
caramba, que susto!
e ainda senti,
o ar deslocado,
quase levando o meu boné
o pássaro foi para longe
e eu fiquei ali
parado até perder
as horas
- enquanto sem fé
o melhor mesmo
é só pensar
& repensar
o agora - )