domingo, 1 de março de 2015
51
ele bebe
para esquecer
&
ela
para lembrar
(alguém vá lá
e avise os dois
que, se pararem de beber
enfim irão
se perdoar)
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
del ocho
meu filho está chorando
há mais de horas
e não parou
pois seu ator predileto
foi embora
da vida, hoje, passou
e não adianta dizer
que a obra ficou
que isso, ou aquilo, é certo
não quer, mesmo
saber de qualquer pose
não quer saber
de blablablá
afinal, é tão fã
que parece até
que estava lá
nos anos enta
(e mal passou dos onze)
se foi um alguém
que ele queria ser
alguém em quem botava fé
ou seja,
é uma tristeza que não se
inventa
nem quase
e, soluçante,
foi deitar, se esconder
ainda repetindo uma frase
que acho que ouviu
em algum lugar
gênio
não deveria morrer
gênio?
sim, não se pode negar
que a letra "o"
é a única diferença
entre chaplin
e chapolin
e gênio que é gênio
do fim, já nasce meio
que sabendo
mas no caso de El Chavo
foi, mas sem querer
querendo
terça-feira, 16 de setembro de 2014
sobre os anjos
teve um
na verdade, uma
uma anja
(e, que gata
sempre ajeitando
a franja)
que me surgiu
de repente
quando eu estava
quase deixando
que me levassem
e, trancada a porta
da frente
ela cumpriu a missão
de me manter no mando
aí, deu uma última pisada
meio torta
daquelas de quem não quer
aprender a aterrissar
e se foi daqui
ficou só uma pena
(não das asas)
de souvenir
domingo, 3 de agosto de 2014
outoninverno
o músculo errante
pelas trevas andava
sem saber
nem ao certo
como era a face
que lá procurava
batia, forte
seguindo por versos
que pareciam ser
de Dante
e quando, enfim,
a sentiu por perto
a luz o assustou
o próximo passo lhe faltou
& foi tragado por um precipício
que o condenou
ao princício
de tudo
sentiu
que era como se já pagasse
pelos pecados futuros
e foi refazendo os caminhos
abandonando cada um
dos tantos & tantos
orgulhos
se arrastou por abril
maio, junho, que quase o levou
noite vai e dia cai
noite vai e dia cai
de repente, estava em julho
e ele se viu de novo
na própria vida
sem o estorvo da ferida
sem a sombra
que sempre o trai
só então
sonhar mereceu
e mereceu se encontrar
já em agosto
já conhecendo
cada linha do rosto dela
quase a fez chorar de rir
com uma de suas tantas
tontas
histórias velhas
logo, olhos nos olhos
ele viu além do além
do que há
era o fim das andanças
e, quando ela assentiu
pôde ler, ali mesmo
no sorriso
uma carta
da própria alma
mandando lembranças
do paraíso
quarta-feira, 30 de julho de 2014
cena x, tomada y
ela se trancava no quarto
e sonhava em ser
escritora
de livros infantis
quando me contou
deixou felizes
os pingos nos is
instante daqueles, raros
: quando tive certeza
de que ela também tinha
o ascendente
em aquário
nem vou me esforçar
nos versos seguintes
pois por menos que se rime
o livro sempre será, mesmo
bem melhor
que o filme
terça-feira, 29 de julho de 2014
quarta-feira, 30 de abril de 2014
curare
mas que dor do lado é essa
que até me deixa com pressa
de desaparecer?
que dor é essa
que nem pisca no eletro
e que nem analisando
meus pedaços de perto
os doutores conseguem ver?
é ruim até de escrever
pois o braço dói pra caramba
à cabeça na corda bamba...
tonto
& farto de codeína
& ibuprofenos
arrisquei respirar no sereno
lá fora estava bem frio
mas o corpo, fervendo, dizia:
-
meu, tu tá morrendo...
então, um ventaço, num assovio
à lua de vigia
e só,
revirou as samambaias penduradas
e um gato branco, que apareceu
do nada
que dó
quase morreu de susto
engoliu o miado, depois de um
pulo
caiu de mal jeito
e saiu correndo de lado
ah, essa dor do lado
esse negócio
chamado peito...
(!)
se revela
o inimigo
então tiro do bolso uma navalha
(a usei para apontar os lápis)
ele gargalha
enquanto vejo de novo o gato
(maluco,
com mis em miados à capela)
"tudo bem, aceito o
veneno", digo,
e platão se cala
mas quase tropeço
no verso
e no bichano na minha perna
recupero a fala e solto
"beberei como se fosse suco
d'alguma uva nobre!", na
verdade, berrei,
e, enfim, os vizinhos e suas
luzes
foram acendendo
(seria pobre rimar com pobre,
não irei,
ainda bem não precisar)
finalmente agora que sei
do que já sabia
do impossível, é claro
e que estou de novo morrendo
bem, depois que encontrar o dono
do felino
(seria platão?)
eu voltarei para a caverna
voltarei para o meu eu invisível
e vou buscar nos meus sonhos de
menino
algum raro sorriso pra me apegar
não, não dá!
apenas o dela
é o que há
é o que há
é o que há
mas que raio de dor é essa?
pois já acho mesmo que vou
morrer
e ela não vai
passar
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
cá, mim, ó
não se defina
pois sempre mudamos
&, muitas vezes,
não à esmo
e, sim,
para nunca perdermos
velhas rimas
& sempre alcançarmos
nós mesmos
sábado, 11 de agosto de 2012
dois mil e dose
o caos está tão
no lugar
& no lugar comum
tão perdido
que, se Ele voltar
vai ser para ressuscitar
quem já está
vivo
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
numa curva da vida
descobri,
há muito
mas inda não sei
se sei
explicar
direito
:
a imperfeição
é o que nos faz
e desfaz
perfeitos.
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