terça-feira, 19 de fevereiro de 2002

domingo, 10 de fevereiro de 2002

quebra




silêncios em coro
eternam olhares sem lares

: nenhum ouro
paga a surdez
ou a mudez rouca

ao ver dados aos porcos
o pão e o sorriso
que já estavam

na boca


terça-feira, 5 de fevereiro de 2002

poundestroyer




se tudo tudo
já foi escrito
e reescrito

só nos cabe captar
a tradução
para o agora

haja além além daqui
nossa bagagem
é outrora

: (re)criando
é que se vai
embora



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2002

presto




Vaguezas estrondam,
allegro,
instante cósmico,
pós-barba.

No espelho,
o elo não sente,
o ardor da loção,
o azul,
pelo nu do rosto novo.

A lâmina me trouxe
um gosto raro
no gosto doce
do obscuro,
agora claro.

Eta rima besta.

Mas é verdade
: noite de sexta
vingando saudade
sempre é noite
rasga-diário.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2002

o rimar é com é




Então, garoto, me diga,
o que faremos
quando tudo for poesia?

Cantaremos,
brindaremos até no recreio,
e, depois de ralarmos os joelhos
em brincadeiras de correr,
choraremos um pouco.

Será que alguém
ainda vai ter chulé?

Não importa
o quanto pareça louco,
prefiro o caminho do meio
: sempre em frente
enquanto estrada é.

Mas, me diga,
o que faremos
quando tudo for poesia?

De repente já é.

(Faz de conta
que não me via.)



segunda-feira, 21 de janeiro de 2002

lovescienceofsilence




Intrépidos,
teclam teu número.

E um alô,
histérico,
mitifica
meu estúpido
silêncio.

O eu não venço,
desligo na cara.

Termino pelo começo
sem saber o preço
do que nada custara.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2002

vesper

 
 
 
munida de amortifícios
a safadeusa
veio a mim

&

perdida a incerteza
o princípio foi, mesmo
um fim




segunda-feira, 14 de janeiro de 2002