sábado, 11 de agosto de 2012

dois mil e dose

 


o caos está tão
no lugar
& no lugar comum

tão perdido

que, se Ele voltar
vai ser para ressuscitar
quem já está
vivo




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

numa curva da vida




descobri,
há muito

mas inda não sei
se sei
explicar
direito
:
a imperfeição
é o que nos faz
e desfaz

perfeitos.


 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

cá, enter, nós



vulgo vulgar
vagante in errâncias
numa prosa
pró-rosas
em ramalhenters
& escs
barras & arrobas
emoticonspirando
...

não!

não sirvo pra isso:

ela, na redoma
de seu e-cárcere privado
e-eu,
a soma de todos os futuros
dos futuros
do passado

(o poema
não está mais respondendo
e será
fechado.)




terça-feira, 3 de maio de 2011

confissura

 


quando me deixou
e deixou, de verdade
às flores & dores
de la noche

& à vontade
que me trouxe da loucura
para manchar a brancura
com o sangue negro
d'outro poema
assassinado

: ela me deu um soulnífero
e o pesadelo acordou
do meu lado



sábado, 6 de novembro de 2010

meu reino por um porquê!




ela queria

ah,
mas como ela queria

que eu a traduzisse em versos
que eu a transformasse em algo
como a luz do dia

que espalhasse suas pétalas
pelo branco das folhas
que falasse da lua
e, é claro, do céu azul
das estrelas,
do mar
e mais um tanto de, desculpe
blablablablá



porém,

jamais quis saber
qual, na verdade
era
o seu lugar
quem ou quê
realmente
poderia me, ou nos,
inspirar

e
sem o ins
só me fez

pirar



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

attesa per la nebbia

 


escuras
& escuras
cada vez mais

escuras

têm sido
minhas noites

circunflexas
sem estrelas
sem guia

refém dos ecos de outras
que nem vivi
&, às orelhas de burro
de um livro que não li

e reescrevi

(fossem os sonhos
publicados
quem sabe então eu veria
meus olhos beijando a cegueira
de um pretérito
sem passado
,
guria)



terça-feira, 31 de agosto de 2010

conciso?




sem siso.

tenho apenas
um indeciso
que não sabe
se nasce
ou não

(sem juízo,
& a tua boca
é
a razão)


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

de via defessus: suspirium

 


Ando cansado
de todo esse tudo
que só me leva,

& só,

ao nada.

Ando cansado
do quanto me iludo,
fazendo, do rastro deste pó,
a minha verdade,
minha vontade de ceder às vontades

& minha morada.

(Agradeço a todos
que perderam seu tempo comigo.
Peço perdão.
Por não ter sido
um bom amigo,
ou inimigo.)

Ando cansado,
e não adianta
seguir o coração,



pois anda rastejante,
escravo,
daquele querer antigo.

Ando cansado
de pensar em como eu seria
um bom amante,
ou um grandessíssimo filho da mãe
rasgando o tempo
com falas lentas
& vãs.

Ando cansado.

E o pior,
é que eu não sabia
que, se, amanhã,
eu for mesmo com o vento,
ou for alvo de um baleado

defeito,

ainda haverá a poesia.

(Mas não nas letras,
tingindo a noite
com a luz
do dia.)





 

sábado, 10 de julho de 2010

o morro, do cristo





havia um refúgio escondido
à passos sofridos
& de quase ninguém

eu sempre escorregava
naquelas mesmas
pedras todas

houve certa vez
que, à insensatez
d'algumas ondas

feio arrebentei
os joelhos
& a razão

porém
eu não desistia
pois só daquele ponto se via
o espelho
,
e então se ouvia
o choro das águas
& do coração

tonto
à tal agonia
o mundo se desfazia
só de eu pensar
em sonhar

e por quantas vezes ali eu vi
a própria vida
a se pôr
como minha cela?

(mas hoje sei bem
o porquê de ainda
gostar tanto do mar
:
é que ele tem
a cor & a dor
dos olhos dela)