sexta-feira, 16 de novembro de 2001
quinta-feira, 15 de novembro de 2001
oito e meia fui embora
Conhaque, pinhão,
e, no pilão,
as mãos da Maria,
a diarista.
Enquanto, da tela, Amarcord,
fugia a vista
& fugiam meus ouvidos
dos comentários & obituários
de pretensos videomakers
& otários
empunhando cigarros.
Preferi o trabalho e o cantar da Maria.
Deixei Fellini, entre outros
(que me perdoem),
também o póstumo mau humor
para outro dia,
ou para outro eu,
que então suporte
demagogia,
papo furado
& tabaco forte.
quarta-feira, 14 de novembro de 2001
labirinto
meu próximo passo
é, no máximo,
um passo atrás
ademais, o que vier,
será implícito na causa
incluso no mais ínfimo
desejo
de cova rasa
"não se meta com estranhos
e volte direto pra casa"
- refrão do sermão da mãe
dando afago aos meus pés
e piso na brasa
ao invés
de dar asas
às asas
terça-feira, 13 de novembro de 2001
segunda-feira, 12 de novembro de 2001
sinuca
ao ontem que se soma
e à fênix do novo dia
eu rogo
:
não me deixem entrar na fria
de um diploma
de ociólogo
poemáscara número zero
que sejam ilusões tudo que penso
ao menos penso
ao menos sou mais
que a breve metáfora
não, não fujo
do que ainda devo
& não devo descobrir
são as descobertas que se escondem
no verso das páginas
ou no avesso do óbvio
mas por que indago e simulo uma reflexão sujando o branco deste tapete?
as letras o pisam, afoitas
c
a
e
m
& a tinta vai deixando
as pegadas de um vôo sem asas
sem rumo ou princípio
que sejam ilusões
:
tudo é máscara
tudo é lixo
(ou tudo é lindo
pra quem só chora
sorrindo)
pré-renúncia do paralelepípedo rebelde
Dândis no Ganges do Largo,
não da Ordem, mas do trago,
despurificam-se, queda em queda,
parindo diamantes.
Outro vinho, outros passos, mais moedas.
E outras rimas vêm, com os poréns,
idem aos cãobaleantes reféns
de suas erudições latidas.
O que queremos, indaga alguém que nem fala,
não seria fibra para nossas vidas,
nem um espelho utópico à nossas caras
: banhar-se do sujo sereno em noite rara
seduz até a mais cínica ferida
a lapidar, sorrisos, numa lágrima cuspida.
sábado, 10 de novembro de 2001
sexta-feira, 9 de novembro de 2001
o funeral de um poema inacabado
todos
(jovens decrépitos
em sua hábil
plagiarte)
nós
(rompendo com o absurdo
lambendo os beiços
na porta dos fundos)
atados
(e alguém havia soprado
que o pesadelo pode ser
bem mais brando que o sonhado)
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